domingo, 25 de outubro de 2009

My Big Bother Web 2.0

No ano de 2004 foi o lançamento da chamada americana Web 2.0 de
O'Reilly Media, que marcaria uma novíssima concepção em web: uma grande plataforma com diversos aplicativos online, alteração de conteúdo online com database management. Em um artigo publicado um ano após o lançamento (em 2005) a empresa esclarece do porque o conceito Web 2.0 não ser uma jogada de marketing.

Seus argumentos são baseados no contexto em que a web se encontrava na época. A Netscape, que dominava o mercado na época, oferecia aplicativos para o Desktop enquanto elevava os preços dos serviços online para manter seu poder de barganha. Ao contrario, a Google surgiu no mercado com outra estratégia econômica, rompendo com a hegemonia da Netscape e oferecendo serviços online gratuitos. E não somente isso, a Google oferecia database management.

“O serviço do Google não é um servidor - embora seja emitido por uma enorme coleção de servidores de Internet -, nem um navegador - embora seja experimentado pelo usuário dentro do navegador” compara Tim O'Reilly em seu artigo publicado em 2005 e complementa mais adiante “A Google acontece no espaço entre o browser e o motor de pesquisa e servidor de conteúdo de destino, como um suporte ou intermediário entre o usuário e sua experiência online.”

Realmente, visto por este ângulo histórico de desenvolvimento, a Web 2.0 é bem diferente. Entretanto, é preciso atentar as causas deste desvio conceitual: A Netscape estava inserida nas leis de mercado, de oferta e procura, e como principal empresa tinha a oportunidade de ter um grande crescimento econômico.

A questão Web 2.0 não se trata de uma discussão a respeito de ‘novíssimo conceito em web’, mas sim um reposicionamento de estratégia econômica e a realização dos princípios já formulados e idealizados por Vannevar Bush e Ted Nelson em 1945, de forma a ganharem um novo significado, um significado econômico.

Tim O'Reilly argumenta que os ‘puristas do hipertexto’ comemoram, na verdade, uma pseudo ligação de duas vias, pois o que acontece de fato é uma ligação simétrica de uma única via.

Entretanto, o conceito de construção de conhecimento através de hipertextos, formulados por Bush e Nelson não especificava o agente que construiria estas associações, pois o foco de 1945 não estava centrado na economia, e sim na manipulação e arquivamento da informação para geração de conhecimento. Não estava centrado na necessidade de difundir a cultura virtual – a participação da grande massa seria necessária para sua popularização e (super)valorização – , nem mesmo de produzir informação em massa – como o eco do twitter proporciona.

Apesar de focos e necessidades distintas, os conceitos da Web 2.0 é idêntica a Web 1.0. O que se desenvolveu foi a técnica de concretizar a possibilidade de geração de conhecimento – sendo este o principal motivo, para a ilusão dos dominados – e uma nova estratégia de comunicação em massa e nova formula econômica virtual – para a alegria dos dominantes.

Se em 1945 tinha-se a ideologia de grande construção do conhecimento e, décadas mais tarde, se acreditava na internet como um lugar de ninguém. A web 2.0 é um grande big bother e, por tanto, uma falsa comunicação purista de duas vias.

Enquanto filosofávamos se a Web 2.0 era ou não um plágio ou estratégia de marketing, como diria William Shakespeare: há mais entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia e, é mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.

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