
Em meio às grandes transformações climáticas, à superpopulação e à superprodução, questiona-se a serventia do design, pois, embora haja uma difusão horizontal, suas fronteiras e seus limites ainda não se estabeleceram tão pouco se esclareceram.
Os seres humanos são movidos por necessidades. Necessidades são sensações de insatisfação, supridas, segundo o designer alemão Löbach, por objetos. Designers são responsáveis pelo processo de inserção de um objeto na prática cotidiana. Bonsiepe, designer da escola de Ulm, identifica a prática do design como terceira fase do processo de inovação (antecedido pela ciência, primeira fase, e tecnologia, segunda fase) e essencial etapa para a inserção do objeto na prática cotidiana.
A necessidade é cumprida pela utilidade do objeto projetado. Os três eixos que definem as escolhas de um projeto de design – função prática, função simbólica e função estética – irão determinar a forma final e a(s) necessidade(s) que serão cumpridas.
Estas funções podem ser observadas de forma difusa na pirâmide de Meslow – fisiologia, segurança, relacionamento, estima, realização pessoal – : as funções práticas suprem as necessidades fisiológicas e de segurança, na base da pirâmide, enquanto as funções simbólicas completam as necessidades de estima e realização pessoal e, de forma mais obscura, e entre estes dois, estão as funções estéticas. Os cinco estágios de complexidade se fundamentam no grau de naturalidade e artificialidade, ou de função prática e função simbólica: as mais importantes necessidades se fundamentam na natureza e, as mais simbólicas e significativas, no artificial. As funções práticas dos objetos atendem, por tanto, às necessidades fisiológicas-naturais, enquanto as funções simbólicas dos objetos atendem às necessidades artificiais - pessoais.
Design é designo, projeto, processo. As necessidades que o design atende são, em um sistema capitalista, as do empresário e do usuário. O papel do design no processo de inovação tem seu fundamento nas necessidades do empresário e do usuário. As do empresário – como figura social – são as de produzir mais dinheiro e, a primeira mão, atender suas necessidades fisiológicas e de segurança. Já as do usuário – como figura humana – bem, são as mais heterogenias e complexas. Isto se explica pelo fato do objeto possuir diversas qualidades atribuídas – pelo designer – e qualidades intrínsecas, bem como o produto em questão, o publico alvo e, conseqüentemente, seus valores. No entanto, calculando com estas variáveis, é possível perceber que as necessidades que o design atente são as de cunho artificial-pessoal: dentro de um sistema de códigos e símbolos artificiais criados pelo homem, os usuários-consumidores atendem suas necessidades de relacionamento, estima e realização pessoal.
Cabe ao design , por tanto, suprir necessidades, quer sejam elas de ordem artificial ou natural, para um empresário ou para o usuário. E a transformação da prática do design se dá exatamente por conta desta relação com a necessidade.
O termo sustentabilidade expressa, segundo o desginer Mazini, ‘à condição das atividades humanas de não interferir nos ciclos naturais’. A relação entre o natural e o artificial está novamente em fase de questionamento e, com isso, os critérios de qualidade do design e sua prática está sendo transformada, pois as necessidades fisiológicas estão em cheque, enquanto as necessidades de estima e realização pessoal estão sendo supervalorizadas. Os seres humanos são movidos por necessidades, o design também.
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