domingo, 25 de outubro de 2009

As aparências do design enganam!

Tio Sam - ícone do consumismo norte-americano, exacerbado e não consciente.



Para o pesquisador Rafael Cardoso Denis, o surgimento da prática do design se dá na revolução industrial, em meio aos novos processos de produção em massa e de padronização dos objetos consumíveis. Na discussão que se faz a respeito do design e da democracia, atenta-se para as escolhas projetuais do designer, bem como o conceito de seu projeto atrelado as necessidades do empresário e o publico alvo à qual se destina o produto. O que se deve atentar nesse processo de criação, é a manipulação de signos –culturais, óbvio – para determinados propósitos: ‘agregar valor’, entreter, atribuir status.

Apesar da sociedade capitalista não ser organizada em estamento, a hierarquia se dá pela classificação segundo objetos e seus valores. Ocorre a coisificação do ser humano: ele não é aquilo que é, mas aquilo que tem. O designer, como manipulador de signos, é quem distribui estes valores ao objetos, com designos previamente propostos.

Para muitos historiadores, designers e pesquisadores a revolução industrial foi bastante democrata, e o design funcionalista cooperou ainda mais para esta difusão materialista.
Entretanto, é razoável atentar às criticas de Bonsiepe quanto ao design frente aos princípios da democracia. Para ele, o conceito de democracia no sentido iluminista de Kant (SEPARE AUDE!) tem cedido espaço para uma democracia contraria a autonomia – heterónima – e a ‘manipulação e design encontram um ponto de contato no conceito de aparência’. Há autores, segundo ele, que afirmam que somente brincando estamos livres, pois a estética engano, da manipulação (ou seja, da expansão da heteronomia).

Portanto, cabe ao designer, segundo Bonsiepe, “formar e manter uma consciência crítica frente ao enorme desequilíbrio entre os centros de poder e os que são objetos do poder. Pois este desequilíbrio é antidemocrático (…)” .

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