quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Discussão sobre o Design

Em meio à conjuntura atual, na qual o paradoxo da superpopulação se contradiz com o conceito de massificação e o capitalismo se torna intrínseco em sua potencialidade, somos, como jovens designers, convidados a atentar para as questões éticas e de valores pelas quais os produtos por nós desenvolvidos proporcionam para essas dimensões da sociedade.

Cabe, entretanto, esclarecer os aspectos do conceito de design que aqui se contempla. Segundo Bernard Löbach,um teórico conceituado de design, a manipulação de objetos promove modelos mentais, valores e status. Ou seja, as tecnologias e a função dos próprios objetos de design proporcionam mudanças nos processos cognitivos; e as escolhas dos elementos da linguagem visual e o material utilizado promovem mudanças na cosmovisão e na posição social, pois estes atributos são carregados de significados e símbolos que, por sua vez, estão associados a idéias e filosofias.

O designer é aqui compreendido como um manipulador de signos e valores ao fazer escolhas desses atributos. Portanto, os produtos desenvolvidos possuem um caráter político e, como jovens designers, tememos a conjuntura futura que, quase involuntariamente, projetamos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Gareth Pugh substitui desfile por apresentação em video de oito minutos


Paris 2009. Gareth Pugh surpreendeu a plateia ao substituir o ritual da passarela para apresentar seu vídeo de oito minutos de duração que lançaria sua coleção outono/ inverno 2009 em Paris. Com movimentos repetidos, espelhados e invertidos Pugh controi uma nova linguagem, um novo ritual, um novo universo da moda. A performance da passarela, posta de lado pelo estilista, compunha uma das 'manifestações e expressões' do 'comportamento significativo' do mundo da moda.

A pesquisadora da área, Kathia Castilho* refere-se ao desfile como o momento em que "as ideias do criador serão apresentadas como elaboração da estrutura de sua linguagem de moda para a próxima estação." O próprio desfile performático compõe esse universo da moda e a proposta de Pugh causa uma certa ruptura. A linguagem do vídeo editado por Ruth Hogben em meio digital gera inúmeras possibilidades de convergência entre linguagens e realidades e proporciona novos hibridismos.

Passarelas a parte, o estilo de Pugh se explicita em sua coleção. Em entrevista para London Fashion Week, quando lhe foi perguntado um resumo de seu estilo em três palavras, Pugh reponde "Preto, preto, preto". De fato, sua coleção é composta por roupas de corte reto, geométrisas e pretas.

Por outro lado, os movimentos das modelos, a edição do vídeo com cortes bruscos e repetidos tratam a feminidade de forma robusta e não delicada.

Confira o video e poste sua opinião.
http://www.youtube.com/watch?v=5C_LMYdKzWY



*Kathia Castilho é Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (2003), onde também realizou o mestrado (1998) e graduada em Ciências Sociais pela UNIBAN- SP (1990). É pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Design -Mestrado na Universidade Anhembi Morumbi, onde coordena o grupo de estudos e pesquisa em Corpo, Moda e Consumo. Citação: "A gênese da Moda" artigo publicado na obra coletiva "Faces do Design2: ensaios sobre arte, cultura visual, design gráfico e as novas mídias." Organização de Mônica Moura. São Paulo: Edição Rosari, 2009.